País

Internet das Coisas recebe investimentos e avança no país

Por Arnaldo Faissol
25, Junho 2021

A gestão eficiente de recursos é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo para qualquer país. A sociedade demanda cada vez mais soluções sustentáveis para suas necessidades de moradia, alimentação, transporte e consumo. Os investidores colocam na ordem do dia para o mercado de capitais as diretrizes e práticas ESG (Environmental, Social, Governance).

 

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No entanto, no lado da oferta, que são as empresas, crescer com sustentabilidade ambiental e racionalidade de uso dos recursos naturais, respeitando seus colaboradores, clientes e demais stakeholders, atingindo níveis elevados de satisfação entre esses indivíduos, ainda é um enorme desafio. Ser sustentável em tudo o que se faz não é apenas mais uma opção, tornou-se uma obrigação. É um pré-requisito para se manter no mercado.

Uma de nossas teses fundamentais é investir em tecnologias que habilitem as empresas a ter uma visão precisa do uso de insumos cada vez mais críticos. Saber quanto e como se consome em água, energia elétrica, gases, transportes, buscando eficiência e evitando perdas desnecessárias.

 

Entre todas as tecnologias, a Internet das Coisas (Iot) tem se destacado por apresentar grande potencial de mudança nas formas de produção, principalmente pela capacidade de monitoramento à distância que ela proporciona.

 

Essa transformação é complexa pois depende da integração em redes de sensores e sistemas, capazes de processar volumes gigantescos de dados em análises e alarmes para que os gestores possam tomar medidas efetivas de racionalização de consumo e investimentos.

Também é uma transformação que depende da construção de uma infraestrutura de sensores, roteadores e equipamentos de medição – fazendo-a intensiva em capital, coisa que as startups raramente têm condição de fundear.

No entanto, quando conseguimos combinar a capacidade de formação de infraestrutura de monitoramento com plataformas de software como serviço integradas, acontece uma disrupção gigantesca na alocação de recursos das empresas, que passa a ser orientada por dados em tempo real e em quantidades massivas.

 

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Algumas industrias no país já adotam essa combinação de forma interna, baseando-se no software dos equipamentos de suas linhas de produção – o setor eletrônico e a automotivo são bons exemplos.

Isso acontece porque a IoT permite a gestão e o controle integrado das informações obtidas através de diferentes dispositivos conectados que proporcionam a obtenção de resultados de forma customizada, direcionados à cada especificidade.

 

A oportunidade que vislumbramos é a criação de plataformas abertas de gestão dos equipamentos por telegestão e telemedição. Ao viabilizar a conexão de qualquer sensor de uma determinada máquina, ou mesmo desenhar sensores compatíveis com a plataforma e o equipamento, cria-se uma nova camada de eficiência no uso dos recursos, em linhas com os objetivos de sustentabilidade que todos os stakeholders demandam atualmente.

 

Um exemplo disso seria no setor de saneamento, que ao contar com medidores de consumo inteligentes por toda a rede de distribuição, poderia detectar vazamentos e consumos fora do padrão de normalidade em tempo real e em localizações cada vez mais precisas – reduzindo enormemente a perda de água comum nessas empresas.

As aplicações são ilimitadas. Acreditamos que com os resultados da IoT se materializando e se consolidando como novo paradigma de gestão e eficiência no uso dos recursos, a demanda pelos chamados sistemas de telegestão e telemedição abertos será cada maior.

Motivados por essa visão, investimos na Modulus One – uma startup de IoT brasileira com tecnologia de classe global. Sua plataforma aberta de IoT já vem sendo aplicada com enorme sucesso em redes de iluminação pública.

 

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Com clientes como Ambev, Cola-Cola e PetroReconcavo, a empresa apresenta soluções sustentáveis e escaláveis, entregando eficiência energética, controle e economia em processos para indústrias, mas também redes de varejo e supermercados, centros logísticos e de distribuição, concessionárias, concessões de vias, aeroportos, portos e até mesmo cidades.

 

Quando olhamos para o advento do 5G tão próximo de ser implementado no país, ficamos ainda mais animados, pois as aplicabilidades deste conceito de IoT serão ainda maiores. Ao ser capaz de transmitir imagens de alta definição na rede, os dispositivos de telemedição e telegestão poderão ser equipados com câmeras e empoderados com soluções de visão computacional e inteligência artificial.

 

O nível de gestão dos recursos poderá englobar fatores como identificação de poluentes, riscos de acidentes e visualização de defeitos, para mencionar apenas alguns exemplos. Além disso, o custo de implantação da infraestrutura continuará caindo, ampliando o mercado para cada vez mais aplicações.

Esperamos que surjam cada vez mais empresas como a Modulus One. O planeta precisa e a nossa sociedade e o país agradecem.

Artigo de
Arnaldo Faissol

Investidor com ampla experiência em finanças, empreendedorismo e tecnologia.