Exportação de Serviços de Tecnologia e seu potencial para impactar positivamente o ecossistema de startups no Brasil

Por Arnaldo Faissol
21, Junho 2021

Tem uma oportunidade gigante passando na frente do mercado de tecnologia brasileiro e nem todo mundo está vendo – a internacionalização. Por quê será que as empresas e startups nacionais não têm um papel de destaque na venda de software e serviço em nível internacional?

Se é possível desenvolver códigos de qualquer lugar com apenas um computador e uma conexão de internet, por quê não conquistamos o mercado internacional, assim como fizemos com as commodities agrícolas e minerais, que são muito mais intensivas em capital?

O que será possível aprender com Israel, Polônia, Tailândia e Índia para elevar o patamar de exportações de software de empresas brasileiras e assim, gerarmos valor para o ecossistema de tecnologia nacional e também para o Brasil como um todo.

 

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A lógica da criação de valor é simples, ainda mais com a cotação do dólar superando R$5,00. Faturar em moeda forte e ter custos em moeda fraca faz bem para qualquer negócio. No entanto, não vemos esse modelo sendo aplicado ostensivamente no Brasil.

 

Honrosas exceções como a Stefanini e a CI&T devem ser celebradas e estudadas profundamente, pois certamente nos proporcionarão insights poderosos que poderão ser aplicados em empresas mais jovens e motivadas a crescer e aparecer em um mundo totalmente globalizado como o atual.

O problema não parece ser crescimento ou falta de recursos. O último estudo da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), realizado em parceria com o IDC, “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2020”, apontou crescimento de 10,5% do setor em 2019 no país, com uma movimentação de R$ 161,7 bilhões (US$ 44,3 bilhões), se considerados os mercados de software, serviços, hardware e também as exportações do segmento.

O crescimento brasileiro foi maior que a média mundial que ficou em 5% em 2019, quando foi realizada a pesquisa. Os investimentos neste segmento foram na ordem de 2,3% do PIB. O Brasil representa portanto 1,8% do mercado mundial de Tecnologia da Informação (TI) e 40,7% da movimentação do setor na América Latina.

 

Segundo o estudo, dentro do segmento de TI, o mercado interno de software apresentou crescimento mais acentuado em 2019, da ordem de 16%. Já os softwares e serviços para exportação aumentaram cerca de 29% em comparação ao mesmo período.

 

Talvez possamos concluir que o Brasil é um mercado interno pujante e fácil, com uma escala tão relevante, que as empresas de tecnologia nacionais preferem ficar por aqui mesmo, ao invés de se internacionalizar.

 

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Outros conhecidos obstáculos são a falta de engenheiros de software e desenvolvedores, a falta de domínio da língua inglesa por boa parte da população brasileira e o custo proibitivo de viagens internacionais para boa parte dos empreendedores. Ao nosso ver, esses fatores são facilmente contornáveis, se eles tiverem mindset global e curiosidade de desbravar outros ambientes e nichos de negócios.

O Brasil tem competência e conhecimento reconhecido globalmente em diversos setores. Destacam-se o financeiro, aeronáutico, elétrico, óleo e gás, varejo e especialmente, o agronegócio. E se os próximos campeões mundiais da exportações de software fossem startups brasileiras especializadas nestas indústrias?

 

Aplicamos os princípios elencados acima no desenvolvimento da nossa tese de investimento na Luby, feito recentemente pelo Fundo Inova 5. Liderada por um empreendedor jovem e arrojado, o Alon Lubieniecki, a Luby tem cerca de 50% da sua receita originada de projetos de desenvolvimento de software no exterior.

 

Com sede em 3 estados brasileiros, Amazonas, São Paulo e Paraná, e uma na Califórnia, nos Estados Unidos, é uma empresa descentralizada, horizontal e distribuída. O início de suas atividades foi em 2002, quando criou o 1º e-commerce de personalização on-line de camisetas do Brasil.

Com isso, adquiriu expertise em desenvolvimento de sistemas (softwares) e desde então, cresceu e se especializou em serviços digitais para diversos segmentos, como setor financeiro, passando por varejo e mobilidade até logística.

 

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Através de um novo planejamento estratégico, feito no 1º semestre de 2021, a Luby direcionou seus esforços para ser uma empresa global de tecnologias financeiras, atuando no banking as a service no Brasil, em parceria com a Cartos.

Entre os objetivos da parceria, está tornar a empresa em líder de desenvolvimento de soluções digitais inovadoras e sob medida para atender assim o segmento financeiro, levando o Brasil a um patamar de excelência global na área.

Estamos buscando outras “Lubys” – empresas lideradas por uma equipe de nível global e com ambições internacionais, que saibam identificar problemas relevantes e aprender rápido como resolvê-los com excelência, não importando aonde estejam essas oportunidades – mas que sejam preferencialmente, em moeda forte.

Artigo de
Arnaldo Faissol

Investidor com ampla experiência em finanças, empreendedorismo e tecnologia.